Sobre a Teoria Final…
Recentemente Marcelo Gleiser lançou um novo livro (A Criação Imperfeita), cujo tema vai de encontro com toda uma idéia quase mítica que envolve a ciência, particularmente a física.
Gleiser trás a tona a pergunta de se é realmente necessária uma teoria final, uma teoria do tudo, uma teoria única e perfeita que explique todo o universo.
A busca por uma perfeição no modo como se explica as coisas vêm desde os pitagoricos com seus sagrados números inteiros e figuras geometricas perfeitas. A busca por perfeição e ordem esteve sumariamente relacionada com grandes cientistas no decorrer da história. A idéia de que o círculo era a trajetória perfeita, a suposição de que as esferas celestes se comportariam harmoniozamente formando uma música das estrelas, … e então a busca assume uma forma um pouco mais definida quando Einstein começa a tentar criar uma última teoria, que seria a magna opus. Ele a chamava de Teoria do Tudo, deveria ser uma teoria que pudesse explicar tudo o que existia universo. Como se sabe, ele não conseguiu.
Mas esta primeira faísca da busca pela teoria final não ficou apenas como uma faísca. Cientistas começaram a ter idéias diferentes sobre o modo de entender o tudo, de modo que surgiu aos poucos a chamada Teoria das Supercordas, ou somente Teoria das Cordas. Muito foi desenvolvido sobre o assunto, muitos se interessaram pelo assunto. E então a busca pela perfeição, que acompanhou a humanidade por tanto tempo, parecia ser de alcançar. Em fato, ainda parece, apenas a teoria sofreu grandes alterações de modo a agora ser conhecida como Teoria-M. Não abordarei sobre estas teorias aqui, mas basta pesquisar na internet para ter boas noções.
O importante é que agora, em meio à busca quase alucinante, é publicado um livro que oferece um outro ponto de vista. Gleiser parece afirmar que talvez as coisas não sejam tão perfeitas como queremos acreditar. Que a imperfeição do universo não é algo ruim.
Isto me lembra os pensamentos orientais. Afinal, fomos ‘nós’ ocidentais que criamos está idéia de que deve existir uma perfeição, uma beleza, uma regularidade no tudo. E, ainda assim, a perfeição e beleza são conceitos inexatos; como classificar o que é perfeito e o que é belo? Parece algo muito pessoal, mas no caso cultural grande parte acreditaria que o belo é o regular. Tal como o pitagóricos, a nossa sociedade crê que o perfeito e belo deveria ter propriedades como a simetria, a regularidade, coisas do tipo. Os orientais, de outro modo, não se preocupavam muito com esta idéia. Tanto que os antigos chineses renovavam constantemente sua matemática por não acharem que ela pudesse demonstrar com exatidão toda a extensão da realidade tal como ela realmente era.
Gleiser parece trazer uma idéia similar. Não com o objetivo de remover o incentivo dos que buscam a teoria do tudo, mas com o objetivo de abrir as mentes para o detalhe de que as coisas não precisam ser perfeitamente perfeitas.